segunda-feira, outubro 30

Ponto de interrogação

Dado o segundo Verão que estamos a viver, será pertinente fazer o pedido para mais um subsídio de férias? E marcar férias de Verão para Novembro... será pedir demais?

terça-feira, outubro 24

A gente da EMEL

Segundo o Diário de Notícias, os fiscais da EMEL (Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa) “vão passar a ter poderes idênticos aos da PSP e da Polícia Municipal no que respeita à fiscalização do estacionamento na via pública”.

Parece que a proposta de alteração dos estatutos da Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa vai hoje a debate na assembleia municipal. Caso seja aprovada vamos passar a ser fiscalizados, julgados e punidos (porque é disso mesmo que se trata) por indivíduos cuja formação (geral e específica para o cargo que ocupam) se desconhece.

Não quero, de forma alguma, parecer preconceituoso ou armado ao pingarelho, mas convenhamos que esta medida tem muito que se lhe diga. Todos sabemos o que o “poder” faz às pessoas. Nem que seja o “simples” poder de multar e rebocar uma viatura. Aliás, esse é um poder que tem algo de subversivo. Um tipo que provavelmente ganhará o ordenado mínimo nacional terá, com certeza, um gosto (mais ou menos) secreto em castigar os porcos-capitalistas-donos-de-grandes-máquinas que ultrapassam, ainda que por breves minutos, o tempo limite de estacionamento.

Se calhar é apenas a minha imaginação fértil a trabalhar, mas parece que já estou a ver a cara dos verdinhos a encher-se de rubor com a excitação de castigar todos aqueles que condenaram, desde tenra idade, a sua existência à condição de patética. Mas, lá está, pode ser só imaginação minha...

Bem real, é também o aumento previsto das tarifas de estacionamento em Lisboa: entre os 30 e os 80%, consoante a zonas e o tempo de estacionamento. Como diz o outro: “vai buscar”.

sexta-feira, outubro 20

Trabalhar sem rede

É uma patetice, eu sei. Mas é inevitável. A dependência que criamos em relação a certos confortos e vícios que nos acompanham os dias é ridícula, na verdade. Mas só nestas ocasiões é que damos conta do quão afectados ficamos pela sua ausência. Refiro-me - neste caso - a uma manhã sem net no escritório. Parecíamos uns cachorrinhos abandonados, a quem foi retirado o conforto do leite materno cedo de mais. Não chegaram a ouvir-se ganidos, é certo, mas o olhar triste e vazio dizia tudo.

Claro que o e-mail e a consulta de alguns sites fazem já parte do trabalho de todos os dias, mas a inquietação que se apodera das nossas alminhas quando a internet não se mostra disponível é deveras preocupante. O que se segue? Um esgotamento quando o telemóvel fica sem bateria e não há um carregador por perto? Há que relativizar, portanto. Para começar, não me importo de chegar-me à frente para dar o exemplo. Fica aqui a promessa: amanhã não me chego perto do computador!

terça-feira, outubro 17

Lobby casamenteiro

Depois dos meus pais, dos meus avós e dos meus amigos já casados, agora até o Estado me pressiona a contrair o santo matrimónio. Isto está bonito, está...

segunda-feira, outubro 16

Now playing

O antídoto ideal para uma manhã de segunda-feira bem molhada.

sexta-feira, outubro 13

"The Pillowman" de Martin McDonagh

Já tinha lido (e ouvido dizer) que era “do caraças”. Fui ver. E confirma-se. Grandes/pequenas histórias dentro de um grande texto, que conta com grandes interpretações de grandes actores. Gonçalo Waddington e Marco D'Almeida estão geniais, João Pedro Vaz e Albano Jerónimo são também muito bons. O texto é completamente subversivo e muito bem “ligado”. Gostei de ver. A peça e o teatro. Já não ia ao Maria Matos há uns tempos e fiquei surpreendido com a volta que levou. Vamos ver se será suficiente para chamar o público. Mas, se uma excelente peça, numa sala muito agradável e funcional, não o consegue fazer, não sei o que conseguirá...

Se forem a correr ainda apanham as últimas representações. Até dia 15, Domingo.

terça-feira, outubro 10

Post de circunstância

Nunca fui um fala-barato. Do género de falar por tudo e por nada. Sempre fui poupadinho nas palavras, portanto. Falo sim, quando tenho algo para dizer. Conversas de elevador, tipo: “Então, parece que amanhã vai chover...” e outras que tais, sempre me provocaram alguma urticária, confesso. E depois há locais onde parece que é obrigatório estabelecer um diálogo. Já referi o elevador, onde é parece estranho que duas pessoas respirem o mesmo oxigénio sem trocar três ou quatro palavras de circunstância. Há também as lojas cujos empregados parecem ter sido os últimos vencedores do euromilhões e, guiados pela felicidade extrema que lhes bateu à porta, insistem em meter conversa sobre o tempo, as notícias ou - a minha preferida - o que estamos a comprar. Nem tenho palavras para descrever o quanto aprecio que chamem a atenção da loja inteira para o facto de eu estar a adquirir o último álbum da Mónica Sintra. Claro que a loja inteira nunca vai saber que aquele CD é para a minha tia-avó que vive em Mogadouro e, por um acaso, adora a menina que canta o “Afinal havia outra”, mas isso o funcionário sorridente e estupidamente conversador não quer saber...

Mas o templo da conversa de circunstância é, sem dúvida, o barbeiro (ou o cabeleireiro, consoante os casos). Aí torna-se praticamente inevitável comentar o golo do Cristiano Ronaldo ou as últimas travessuras da vilã da Floribella. Em alternativa, podemos sempre ser obrigados a tecer um comentário jocoso sobre a filha da dona da mercearia (que nem sequer conhecemos). Tudo em nome das regras da boa educação, claro. Se os outros falam comigo, é apenas de bom-tom que eu responda com, pelo menos, umas palavras de circunstância. E se opto por ficar calado, sem sequer esboçar um sorriso, o que acontece? Passo por mal educado, claro. E assim que colocar um pé fora do estabelecimento, serei eu (e não a filha da dona da mercearia) o alvo dos comentários trocistas.

Por estas e por outras é que eu, ao contrário de muitos, gosto de ir ao dentista. Só ele me compreende e nunca leva a mal o facto de me limitar a ficar ali de boca aberta e com ar de palerma a olhar para o tecto...
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