A minha teoria sobre o cinema português.
Depois do declínio e morte do velho cinema português, assistimos agora à entrada na puberdade do novo cinema português. E aqui, à semelhança de alguns adolescentes que por aí circulam, as hormonas estão agitadas. Por isso se fazem filmes como o Crime do Padre Amaro, em que o sexo, os gangs, a igreja e até os diálogos, são explorados de uma forma, quanto a mim, exagerada. A ideia será mais ou menos esta: "tenho um filme para fazer, não sei quando terei nova oportunidade para fazer outro, por isso toca a enfiar aqui tudo o que sempre quis fazer!”
No “Alice”, dá-se um caso parecido. O filme é bom. A fotografia é excelente, tal como a visão de Lisboa que rompe com tudo o que se havia feito. Mas seria necessária toda aquela tensão, toda aquela carga dramática, do princípio ao fim? Não creio. Penso que o filme precisa de respirar. De sair do buraco para onde nos leva (necessário à história, note-se) e ver a luz do dia. Falta esperança e, pior que isso, falta-lhe evolução. Tudo parece terminar no mesmo ponto onde havia começado. Senti-me a ver um teledisco, um excelente teledisco, de grande qualidade audiovisual, mas com um senão: prolongou-se por 102 minutos…
Depois do declínio e morte do velho cinema português, assistimos agora à entrada na puberdade do novo cinema português. E aqui, à semelhança de alguns adolescentes que por aí circulam, as hormonas estão agitadas. Por isso se fazem filmes como o Crime do Padre Amaro, em que o sexo, os gangs, a igreja e até os diálogos, são explorados de uma forma, quanto a mim, exagerada. A ideia será mais ou menos esta: "tenho um filme para fazer, não sei quando terei nova oportunidade para fazer outro, por isso toca a enfiar aqui tudo o que sempre quis fazer!”
No “Alice”, dá-se um caso parecido. O filme é bom. A fotografia é excelente, tal como a visão de Lisboa que rompe com tudo o que se havia feito. Mas seria necessária toda aquela tensão, toda aquela carga dramática, do princípio ao fim? Não creio. Penso que o filme precisa de respirar. De sair do buraco para onde nos leva (necessário à história, note-se) e ver a luz do dia. Falta esperança e, pior que isso, falta-lhe evolução. Tudo parece terminar no mesmo ponto onde havia começado. Senti-me a ver um teledisco, um excelente teledisco, de grande qualidade audiovisual, mas com um senão: prolongou-se por 102 minutos…

3 Comments:
Concordo contigo no que diz respeito ao "Crime do Padre Amaro" que foi feito quase que só p mostrar o corpo da menina. Acho ainda interessante que ninguem se interesse pela nossa literatura mas "Se os mexicanos o fizeram é pq deve ser bom" e então "bora lá fazer do mesmo... mas sem qualidade".
Quanto ao "Alice" discordo ligeiramente. Não me parece que tenha acabado onde começou. Acho que a carga emocional é própria do tema e não sinto que seja exagerada (embora tivessem havido momentos verdadeiramente angustiantes admito). É um tipo de abordagem (havia que escolher um), é um facto que poderia ser tudo cor de rosa, acabar com a familia feliz... mas não é.
Concordo, mas não era minha intenção dizer que devia terminar tudo muito cor-de-rosa, com a família feliz finalmente reunida. Acho é que o filme não ganha com o registo monocórdico... Penso que falta envolvimento. Envolvimento que se perde quando a história nos mergulha naquela angústia permanente...
Vocês estão a ser injustos com o Padre, e exigentes demais com a amélia...
Pucca
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