A(r)risco
Não sei se já repararam na forma como os estrangeiros (principalmente os altos e louros) lidam com filhos pequenos, mas há, sem dúvida, algo que nos distingue.
Refiro-me aos “altos e louros” porque acredito ser uma característica dos povos do norte da Europa, essa de não andar permanentemente atrás dos filhos, com medo que caiam, com receio que se magoem. Não tenho uma estatística que suporte esta teoria, e estou ciente dos perigos de generalizar, mas ainda assim arrisco em dizer que, na altura de criar os nossos filhos, somos, de facto, muito diferentes dos nossos vizinhos do norte. Será com certeza uma questão de mentalidade, mas é também um exemplo da forma como, depois de crescidos, os representantes de ambas as culturas encaram a vida.
Seremos nós, povos do sul da Europa, mais medrosos ou, se preferirem, mais cuidadosos e, por isso, menos audazes? Será que matar o gosto pelo risco às nossas crianças, as vai impedir de crescer com a necessidade (e vontade) de arriscar, de fazer e, quem sabe, de ganhar? Será essa a razão (ou uma de muitas) para o sucesso dos países do norte face a outros com menor propensão para o risco?
Qual é, afinal, a diferença entre criar crianças ariscas e educar pessoas de risco?
Não sei se já repararam na forma como os estrangeiros (principalmente os altos e louros) lidam com filhos pequenos, mas há, sem dúvida, algo que nos distingue.
Refiro-me aos “altos e louros” porque acredito ser uma característica dos povos do norte da Europa, essa de não andar permanentemente atrás dos filhos, com medo que caiam, com receio que se magoem. Não tenho uma estatística que suporte esta teoria, e estou ciente dos perigos de generalizar, mas ainda assim arrisco em dizer que, na altura de criar os nossos filhos, somos, de facto, muito diferentes dos nossos vizinhos do norte. Será com certeza uma questão de mentalidade, mas é também um exemplo da forma como, depois de crescidos, os representantes de ambas as culturas encaram a vida.
Seremos nós, povos do sul da Europa, mais medrosos ou, se preferirem, mais cuidadosos e, por isso, menos audazes? Será que matar o gosto pelo risco às nossas crianças, as vai impedir de crescer com a necessidade (e vontade) de arriscar, de fazer e, quem sabe, de ganhar? Será essa a razão (ou uma de muitas) para o sucesso dos países do norte face a outros com menor propensão para o risco?
Qual é, afinal, a diferença entre criar crianças ariscas e educar pessoas de risco?

6 Comments:
E sabes uma coisa mais estranha, ou se calhar talvez não tão estranha, os putos cá de cima são menos birrentos. Talvez porque sabem calcular os riscos mais cedo que os nossos...ou não...
Abraços
Ou talvez porque não são sempre o centro das atenções. Importantes, claro que sim, mas nunca mimados.
Eu sei onde queres chegar com essa conversa. É o relógio biológico a dar horas... Já falaste com a Cameron? Bom, mas relativamente ao assunto propriamente dito, cabe-nos a nós fazer com que os putos que hão-de vir sejam pessoas mais expeditas e melhor preparadas para a vida. Pode ser que um dia os nossos putos sirvam de exemplo para os nossos vizinhos europeus...
Pois eu não acho que tenha nada a ver com o deixar a crinça mais solta que a ajuda a ter mais sucesso. Nesse caso as crianças em Africa seriam as mais bens sucedidas o que não se verifica, pois encontram-se crianças que mal sabem andar, sozinhas perto de estradas ou escadas e "buracos" que se cairem lá poderá ser mortal. O que eu acho é que esses tais filhos nordicos são permanentemente elogiados pelos pais. Ainda de fraldas qualquer gesto que façam como a simplicidade de atirar uma bola são elogiados como se tivessem ganho as olimpíadas.
São muito mais positivos com a vida em geral e aprenderam que desatar aos gritos não leva a lado nenhum. Não me lembro de ver nenhuma cena (verbal) violenta com os filhos. Claro que também as repreendem mas nada de chamar nomes tipo - tu és um estupido... apenas e simples - para com isso porque...
A positividade para com a vida de que falas vê-se também naquilo que eu referia. Eles (os vizinhos do norte da Europa) não estão permanentemente a pensar que vai acontecer uma desgraça se deixarem os filhos "à solta". Tem, isso sim, a ver com deixá-los aprender por eles. Com as quedas, os tropeções, etc. Nós, pelo contrário, achamos que a desgraça anda aí, à espera de uma desatenção por parte dos pais incautos, para atacar os pobres petizes.
Extrapolar isso para a questão de África não faz, quanto a mim, qualquer sentido. Estamos a falar de (muitos) outros factores que não lhes permitem (às crianças africanas) ter sucesso. Mas se dependesse unicamente do seu gosto pelo risco e da sua vontade de vencer na vida, não tenho dúvidas que teriam muito mais sucesso do que alguns de nós, europeus.
Mas lá está, isto é apenas a minha opinião...
Quando dizias quedas e tropeções eu pensei numa criança até aos 3 anitos...
Quanto ás crianças em Africa é verdade que existem outros factores para não as deixar progredir mas existe também uma filosofia de vida que o Europeu nunca irá compreender e que não é pior nem melhor apenas diferente o que leva a não terem uma vida melhor.
Presenciei casos de crianças de rua que foram recolhidas para crescerem como qualquer criança branca e que fugiram porque já estavam grandes demais, depois de viverem a liberdade da rua, que a escola e a casa não lhes dá. Num clima em que durmir na rua não é na realidade um problema e comida sempre vai aparecendo é bem melhor que ir para a escola e até mesmo calçar sapatos.
Mas lá está isto também é a minha opinião... embora resumindo não deve ser muito diferente da tua, o que seria mais giro se fosse...
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