terça-feira, setembro 12

O apito da vergonha

Uma olhadela pelos títulos dos jornais dos últimos dias revela-nos alguns títulos curiosos.

“Pinto da Costa indicou árbitro para a final da Taça de 2002/2003.”
in Diário de Notícias

“Loureiros escolhiam árbitros para o Boavista.”
idem

“Luís Filipe Vieira apanhado a escolher árbitro.”
in Público

“Veiga apanhado nas escutas a pedir favores a Valentim.”
idem

Curioso é também o desenvolvimento das respectivas notícias. De rir à gargalhada, diria mesmo. Principalmente se atentarmos ao conteúdo (e à forma) das conversas transcritas. Frases como "Da próxima você porta-se melhor, senão puxo-lhe as orelhas" e "Eu sei como é que lhe dou a volta", entre outras, revelam o melhor do dirigismo do pontapé na bola nacional.

Mas das gargalhadas ao choro convulsivo vai apenas uma decisão judicial. Nunca é demais lembrar que tudo isto pareceu pouco aos senhores responsáveis pela justiça dos homens. “Arquivado” é o selo que podemos encontrar nos quilos de processos onde constam estes discursos dignos de uma família siciliana.

Depois do choro convulsivo vem a resignação. E a inquietação. Esta última com tons de verde. Afinal, a única vez em que vejo o nome do meu clube mencionado nesta trapalhada, surge numa frase que termina com a palavra que resume anos de insucessos desportivos: “prejudicados”.

Agora, das duas uma: ou as revelações que vão sendo feitas a conta-gotas estão por ordem alfabética, e depois de Benfica, Boavista, Estoril, Marítimo e Porto, vamos ouvir as conversas dos dirigentes do Sporting a pedir este ou aquele árbitro mais amigo; ou estamos de facto na presença de um clube de meninos do coro que ainda acreditam que nisto do futebol ganham (mesmo) os melhores.

1 Comments:

Blogger Astro said...

Infelizmente, não acredito muito nessa dos meninos de coro. Especialmente tendo em conta alguns dos meninos que por lá andaram...

1:29 p.m.  

Enviar um comentário

<< Home

Number of online users in last 3 minutes