Tempo.
Tenho saudades do tempo em que o tempo durava mais. Dos dias que pareciam durar para sempre. Sinto falta do tempo em que, quando chovia, cheirava a terra molhada. Em que as brincadeiras de criança eram feitas na rua, entre amigos e não em casa, entre engenhocas e computadores. Tenho saudades do tempo em que os desenhos animados eram, de facto, animados e não mutilados, chacinados e derrotados. Fazem-me falta os finais de tarde - que seriam já noite não fosse os dias durarem para sempre - com a minha mãe a chamar-me à janela, fingindo-se zangada e ordenando-me que subisse para jantar. E do seu sorriso ao ver-me acenar e a gritar um “Já vou mãe, é só mais um golo!”. E era. Era golo. Era sempre golo. Porque jogávamos entre amigos e não importava quem ganhava ou perdia. Tenho saudades desse sentimento. Sinto falta de não me importar se ganho ou perco. De jogar; na vida, no trabalho, sem pensar no “e depois”. Tenho saudades da inconsciência que reinava nos dias em que o tempo durava mais. Tenho saudades do acontecimento que era ir ao cinema. Sinto da falta da emoção de apanhar o autocarro para a cidade com o mesmo entusiasmo de quem vai ver o mar pela primeira vez, esperando nele perder a vista. E eu perdia. Perdia a cabeça com a tela, o enredo, o vilão e o herói. Tenho saudades dos heróis. Da B.D., do cinema e da vida. Sinto falta de um herói que traga de volta o tempo em que o tempo durava mais.
Tenho saudades do tempo em que o tempo durava mais. Dos dias que pareciam durar para sempre. Sinto falta do tempo em que, quando chovia, cheirava a terra molhada. Em que as brincadeiras de criança eram feitas na rua, entre amigos e não em casa, entre engenhocas e computadores. Tenho saudades do tempo em que os desenhos animados eram, de facto, animados e não mutilados, chacinados e derrotados. Fazem-me falta os finais de tarde - que seriam já noite não fosse os dias durarem para sempre - com a minha mãe a chamar-me à janela, fingindo-se zangada e ordenando-me que subisse para jantar. E do seu sorriso ao ver-me acenar e a gritar um “Já vou mãe, é só mais um golo!”. E era. Era golo. Era sempre golo. Porque jogávamos entre amigos e não importava quem ganhava ou perdia. Tenho saudades desse sentimento. Sinto falta de não me importar se ganho ou perco. De jogar; na vida, no trabalho, sem pensar no “e depois”. Tenho saudades da inconsciência que reinava nos dias em que o tempo durava mais. Tenho saudades do acontecimento que era ir ao cinema. Sinto da falta da emoção de apanhar o autocarro para a cidade com o mesmo entusiasmo de quem vai ver o mar pela primeira vez, esperando nele perder a vista. E eu perdia. Perdia a cabeça com a tela, o enredo, o vilão e o herói. Tenho saudades dos heróis. Da B.D., do cinema e da vida. Sinto falta de um herói que traga de volta o tempo em que o tempo durava mais.

7 Comments:
Partilho desse teu sentimento de "falta de", mas a verdade é q faz parte do crescimento, penso q agora temos q encontrar outros encantos e viver o presente, não ficar agarrado ao passado é essêncial para q daqui a uns anos tb sintamos falta do q fazemos hoje. O importante é olhar p trás e pensar q fomos felizes, assim como hoje estamos a trabalhar p sermos felizes no presente e amanhã. A vida é mmo assim, IMPERMANÊNCIA, por isso dá gozo viver! Bjs
Claro que sim. Aproveitar o presente é a melhor forma de perpetuá-lo. E o que recordaremos amanhã será apenas o reflexo disso mesmo.
Antes de mais, bem-vindo a este mundo. Agora cá, prepara-te: é uma viagem sem retorno possível. Também te compreendo essa saudade. Saudade do suco das coisas e dos acontecimentos e não deles per si. Hoje tudo se vai adulterando, são os adicionantes, os terríveis corantes e conservantes, os químicos q nos corroem os dias e nos deixam mais e mais saudosos do tempo de antigamente. Em q tudo era genuinamente genuíno. Mas c'est la vie, goste-se ou não.
Agora já não tenho dúvidas...
...És mesmo roto.
Se tens falta de heróis de BD, tens de vir cá à loja que a gente tem disso aos pontapés...
Grande abraço e parabéns pelos textos(Eu já na Grey sabia que tu te fazias).
uÓ Cueilho, tu tem cuidado gazu. Eu também comecei assim: um post aqui, outro post ali e depois nunca mais consegui parar. Tu vai com calma filho. Abraço.
Caro Hugo Veiga,
Desculpa a pergunta...mas também já eras assim tão feio como a foto que amavelmente nos disponibilizaste? Não me leves a mal mas provavelmente sou o apenas o veículo da curiosidade das outras pessoas que viram a tua foto.
Por outro lado, muitos parabéns por teres começado algum dia aqui e ali como dizes.
Portugal precisa de homens e mulheres assim.
Forza ragazzo.
Apesar de ainda n estar nos trinta (embora me esperem já ali ao virar da esquina), percebo o q dizes e o q sentes. É certo q a maturidade se reflecte na capacidade de aceitarmos o passado, assumi-lo com coragem e como bagagem p encarar o futuro. Mas sabe bem sermos saudosistas de vez em quando. Sabe bem voltarmos ao tempo em q era extremamente fácil ser feliz. N com um sentimento de perda e de angústia do estilo " ó tempo, volta p trás" mas com a certeza consciente q foi dessa infância q nos tornámos os homens e mulheres de hoje. E essa recordação só pode trazer um sorriso saudoso ao rosto de quem a tem.
Parabéns pelo blog. Gostei
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